O que é a reabilitação sexual pós prostatectomia
A prostatectomia radical, cirurgia de retirada da próstata usada no tratamento do câncer localizado, pode afetar a ereção porque os nervos responsáveis por ela passam muito perto da próstata. Mesmo quando esses nervos são preservados, eles sofrem um estresse durante a cirurgia e levam meses para voltar a funcionar. A reabilitação sexual é o conjunto de medidas iniciadas logo após o procedimento para manter o tecido erétil saudável durante essa recuperação e aumentar a chance de retorno das ereções.
A reabilitação não trata apenas a ereção. Ela também organiza o cuidado da continência urinária, que costuma estar alterada nas primeiras semanas, e prepara o homem para as mudanças esperadas, como o orgasmo seco e a ausência de ejaculação.
O que esperar após a cirurgia
- Perda de urina aos esforços nas primeiras semanas, que melhora de forma progressiva com fisioterapia.
- Ausência de ereções espontâneas no início, com retorno gradual ao longo de meses.
- Orgasmo seco, sem saída de sêmen, de forma definitiva.
- Possível redução de comprimento do pênis nos primeiros meses, que a reabilitação ajuda a minimizar.
- Impacto emocional, com insegurança e receio quanto à vida sexual, que faz parte do processo e deve ser acolhido.
Iniciar a reabilitação cedo, nas primeiras semanas após a retirada da sonda, é um dos fatores mais importantes para preservar o tecido erétil enquanto os nervos se recuperam.
Fatores que influenciam o resultado
- Idade no momento da cirurgia.
- Qualidade da ereção antes do procedimento.
- Preservação dos nervos durante a cirurgia, que depende do estágio do tumor.
- Doenças associadas, como diabetes, hipertensão e tabagismo, que dificultam a recuperação vascular.
- Tempo até o início da reabilitação.
- Adesão ao protocolo, incluindo fisioterapia e uso correto das medicações.
Quando procurar avaliação
O ideal é que a reabilitação seja planejada antes mesmo da cirurgia, na consulta em que a prostatectomia é decidida, e retomada logo após a retirada da sonda. Também vale procurar avaliação a qualquer momento em que a recuperação não esteja evoluindo como esperado, quando a perda de urina persiste após alguns meses ou quando a ansiedade em relação ao sexo está atrapalhando a retomada da vida do casal.
Como é feito o acompanhamento: investigação clínica aprofundada
- Histórico pré e pós-operatório: função erétil antes da cirurgia, tipo de técnica usada, preservação de nervos, tempo de sonda e evolução da continência.
- Avaliação da ereção atual, com e sem medicação, e da capacidade de penetração.
- Fatores metabólicos: controle de diabetes, pressão e colesterol, que influenciam a recuperação vascular.
- Sono e saúde mental: qualidade do sono, sintomas de ansiedade e depressão, medo relacionado ao câncer e à sexualidade.
- Uso de medicamentos e possíveis interações.
- Relacionamento: comunicação do casal, expectativas e retomada da intimidade.
- Exame físico: avaliação do assoalho pélvico, do pênis e da presença de fibrose.
Quais exames podem ser necessários
- PSA de controle, que passa a ser indetectável ou muito baixo após a cirurgia e é acompanhado ao longo do tempo, como explicado em PSA alterado.
- Doppler peniano com fármaco-ereção, descrito em Doppler peniano, quando a resposta às medicações é insuficiente e é preciso avaliar o fluxo.
- Avaliação hormonal quando há queda importante de libido associada.
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Agendar pelo WhatsAppComo funciona o protocolo de reabilitação
Medicação para ereção
O uso regular de inibidores de fosfodiesterase tipo 5, em dose baixa contínua ou em esquema programado, mantém o fluxo de sangue e a oxigenação do tecido erétil enquanto os nervos se recuperam. É a base da reabilitação na maioria dos protocolos.
Fisioterapia do assoalho pélvico
O treino orientado da musculatura do assoalho pélvico acelera o retorno da continência urinária e contribui para a função sexual. Deve começar cedo e ser feito de forma constante.
Dispositivo de vácuo
O aparelho de ereção a vácuo, usado algumas vezes por semana, promove entrada de sangue no pênis e ajuda a preservar comprimento e elasticidade nos primeiros meses.
Injeções intracavernosas
Quando as medicações orais não produzem ereção suficiente, as injeções aplicadas no pênis geram ereção de boa qualidade na maioria dos casos e permitem retomar a vida sexual enquanto a recuperação dos nervos continua.
HIFEM como complemento
Em casos selecionados, a tecnologia HIFEM, descrita em HIFEM para assoalho pélvico, é usada para reforçar a musculatura pélvica, auxiliando continência e função sexual, sempre associada às demais medidas.
Prótese peniana
Indicada quando, após tempo adequado de reabilitação, não há resposta às demais opções. Tem alto índice de satisfação e resolve de forma definitiva a limitação mecânica.
| Fase | Foco principal |
|---|---|
| Primeiras semanas | Cicatrização, início da fisioterapia do assoalho pélvico, controle da perda de urina |
| Primeiros meses | Medicação regular para ereção, dispositivo de vácuo, manutenção da fisioterapia |
| Três a doze meses | Ajuste de medicação, injeções intracavernosas se necessário, avaliação da continência |
| Após um a dois anos | Reavaliação da resposta, indicação de prótese peniana quando não há retorno suficiente |
Riscos da automedicação e limitações do tratamento
Usar medicação para ereção sem orientação nessa fase pode não respeitar o esquema adequado de reabilitação e ainda esconder uma resposta insuficiente que precisaria de outra abordagem. Aplicar injeções intracavernosas sem treino e sem ajuste de dose no consultório traz risco de ereção prolongada e dolorosa, que é uma urgência. Iniciar dispositivo de vácuo sem orientação pode causar hematomas e desconforto.
A reabilitação tem limites. Quando os nervos não puderam ser preservados por causa do estágio do tumor, a chance de recuperar ereção espontânea é baixa, e o foco passa para injeções ou prótese. A continência pode não voltar por completo em uma parcela dos pacientes. E o tempo de recuperação é longo, com melhora ao longo de meses. Esses cenários são explicados com honestidade desde a primeira consulta, para que as expectativas sejam realistas.
Quando procurar um urologista ou andrologista em Mogi Guaçu
Se você vai operar a próstata, acabou de operar ou está no meio da recuperação e a evolução não está como esperava, agende uma avaliação. O Dr. Bruno Vedovato atende na Clínica Longevità, Rua Osvaldo de Campos, 30, Bairro Jardim Camargo, Mogi Guaçu, São Paulo, e também realiza consultas online para acompanhar o protocolo e discutir exames. O atendimento é particular, com foco em conduzir a reabilitação de forma estruturada e no tempo certo.
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